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Mercredi 19 octobre 3 19 /10 /Oct 18:19

Amanhã, dia 20 de outubro, é a minha festa. Não é meu aniversário, não tenho nenhum motivo para comemorar (ainda), mas c'est ma fête: é dia de Santa Adeline

agenda 2Nunca tinha ouvido falar nessa santa, que Wikipédia me informa ter sido irmã do bem-aventurado Vital (??!!), abade de Savigny (?!) e primeira abadia do monastério de beneditinos de Mortain, na Baisse Normandie. Annhh, tá.

Explico melhor: aqui na França, existe a tradição do "santo do dia". Originalmente, a tradição servia para inspirar o nome das crianças nascidas naquele dia. Ainda bem que essa tradição não continua, já que nasci no dia de Saint-Gatien, cujo feminino é o estranho Gatienne, aaff...

Atualmente, a tradição se inverteu. O "santo do dia" é como um segundo aniversário: no dia da festa do "santo padroeiro do seu nome", as pessoas te desejam "bonne fête", acompanhado ou não de uma comemoraçãozinha. Na verdade, é uma tradição tão incorporada na cultura francesa que é normal, por exemplo, que depois da previsão do tempo na TV, no jornal ou que em cada página da agenda ou do calendário indiquem o santo que se comemora naquele dia. Mesmo as pessoas não-cristãs ou sem-religião entram na tradição. Algo meio como horóscopo, sabe?
praline-rose-lyon.jpeg
Achei engraçado quando toda a família do Loic ligou e mandou presentes para ele no dia 25 de agosto, dia de Saint-Louis (Loic, ou melhor, Loïc, é Louis em bretão). Depois de muito pesquisar, minha sogra descobriu que "Aline" se comemora no dia de Sainte-Adeline, 20 de outubro, junto com os derivados Adalene, Adele, Adelia, Adelin etc. Ano passado, foi a primeira vez que "comemorei" a Santa Adeline, com direito a bolo e tudo! Festa nunca é demais, né?

Esse ano eu já tinha até esquecido dessa história. Mas a avó e a tia do Loic me mandaram cartões, balas, pralines e um cheque (!!) de presente pelos correios! Melhor que no meu aniversário, eba!!

E aí eu resolvi tirar a poeira desse blog contando isso pra vocês. Enquanto isso, encho a cara de pralines e enrolo, ops, preparo minha defesa da dissertação de mestrado, que será segunda-feira. Que a Santa Adeline me proteja!

 

>> Quer saber qual é o dia da sua festa? Digite seu nome (ou a versão francesa do seu nome) aqui.

Par alinemariane - Publié dans : em português
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Jeudi 25 août 4 25 /08 /Août 16:33

E eu estou!

 

Fazia um tempão que eu mesma não xeretava o meu próprio blog. E qual não foi o meu susto em abri-lo e ver um monte de propagandas! Sim, propagandas! Não, não fui eu que deixei - credo, nunca colocaria propagandas no meu blog, nem pra ganhar 6 centavos por mês. Escrevo mal, minha vida é super-sem-graça e eu não tenho nenhuma informação nova para passar. Acho até que vocês, queridos três leitores, deveriam ser pagos para lê-lo... não por mim, claro. Alguém aí quer financiar meus três leitores?!? hehe

 

Enfim. No site do OverBlog, esse esquisito, falava que o blog estava inativo por mais de 45 dias e, segundo os termos de uso (aqueles que eu nunca leio) eles tinham o direito de colocar propagandas onde bem quisessem... até que eu publicasse uma coisa nova! Ah, é? Então, voilà! ;)

 

Acabei me dando conta que nem contei pra vocês como foi minha viagem para o Sudão, né? Foi bem legal, super tranquila. Até usei calça duas vezes. Cartum é uma cidade bem desenvolvida, tão cheia de areia quanto Dakar e tão caótica quanto Nairobi. O mais impressionante de cidade são os dois Nilos, Nilo Branco e Nilo Azul, que se encontram pra formar o grande Nilo, aquele que vai até o Egito. Apesar de já ter estudado na escola que as margens do Nilo são férteis para a agricultura, nunca imaginei assim: 50m de cada lado do rio é verde, cheio de cultivos (limão, laranja, abacaxi, tâmara, alface, rúcula, tomate, muito milho etc.). Depois é areia. Muita areia. Nenhum matinho, nenhum verdinho. A cidade é construída nesse areiume.

 

O calor também é impressionante. Eu me achava tolerante ao calor até conhecer Cartum. Gente, fazia 39° à noite, de madrugada!! Durante o dia, passava dos 49°!!! E incrivelmente seco. Um horror!! E então as roupas compridas e largas fazem todo sentido: assim a gente guarda um pouco de umidade e protege a pele do sol, já que os nossos cremes solares não são feitos para 49°. Mesmo os homens se cobrem. Também fiquei impressionada pelo habub ou tempestade de areia, que aconteceu bem no meio da viagem. Os ventos trazem a areia do deserto de maneira a encobrir o sol! Assim, a temperatura desce um pouco, fez uns 36°, bem mais suportáveis. A areia é bem fininha, fica em suspensão no ar; parece que todo mundo passou uma maquiagem avermelhada. Meus olhos sofreram bastante. No último dia de habub, o vento abriu a janela do nosso quarto e todas as nossas coisas ficaram vermelhas. Eu tinha fechado minha mala, mas marido passou o resto da viagem cheio de areia.

 

O casamento foi bem legal, os noivos estavam muito lindos. A grande festa (já tinha acontecido duas e haveria mais uma) começou depois das 21h30 e terminou às 23h - a regra é terminar às 22h, mas eles conseguiram prolongar de uma hora dando um dinheirinho para a polícia. Foram servidos pratinhos individuais embalados com uns pãezinhos e docinhos árabes. Obviamente, nada de álcool. Depois uma cerimônia tradicional, cheia de perfumes, incenso, pipoca e chocolate. O mais legal foi conversar com os pais da noiva (francesa bem loirinha), pegos meio no choque com a filha se casando com um sudanês. Mas eles eram gente finíssimas e levaram tudo numa boa. Engraçado também era o namorado da irmã da noiva, americano. Coitado, o visto dele foi ainda mais caro que o nosso e todo mundo torcia o nariz pra ele...

 

Hmm, será que esqueci alguma coisa? Ah, de mostrar pra vocês o meu vestido, o que usei no casamento, quase um mostruário de armarinho de tantos vidrilhos. Porque quem cospe pra cima, sabe como é...

 

Aline e o vestido cheio de vidrilhos > vestido-sudao.JPG

 

Par alinemariane - Publié dans : em português
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Lundi 6 juin 1 06 /06 /Juin 23:57

vidrilho.jpg Fui convidada para um casamento. Ridiculamente a primeira coisa que me passa pela cabeça é: ai, que roupa vou usar! Porque, né, não basta os noivos, eu também vou ter que me fantasiar de casamento. E se tem uma coisa que eu detesto nesse mundo é vidrilho, esse brilhinho irritante que insiste em decorar os vestidos das moças...

(Abre parênteses: acho lindo vestido de noiva, amei assistir ao casamento do príncipe William, adoro ver fotos de noivas. Mas nunca me vestiria assim. Brinquei bastante de princesa quando criança. Desejo não reprimido, bem expressado. Fecha parênteses.)

A situação, porém, é mais complicada que isso. O casamento para o qual fui convidada é num dos países mais repressores atualmente: o Sudão.

sudan-map.jpgAté dia 9 de julho, o Sudão é o maior país da Africa. Depois dessa data, deve entrar em vigor a escolha de um referendum feito em janeiro e o país será dividido em dois: o Sudão, ao norte, muçulmano e onde fica a capital Cartum e o Sudão do Sul, de religiões tradicionais, rico em petróleo e incrivelmente pobre - a Amanda tem um ótimo post sobre isso e ela entende mais de geopolítica do que eu.

Vou para Cartum, a capital que concentra a riqueza. Lá predomina a Sharia, a chamada "lei islâmica". Explico as aspas: a maior parte das bizarrices da sharia não estão no Corão e não são preceitos religiosos do islamismo. São ideias políticas, criadas por homens poderosos para garantir o controle da população. Mais ou menos como a igreja católica e a inquisição. O islamismo é uma religião muito bonita e quero deixar bem claro que não critico muçulmanos nem a nenhuma religião, ok?

Então, com que roupa? A sharia prevê cinquenta chicotadas para mulheres que não se vestem adequadamente. E se vestir adequadamente pra eles é não mostar os cabelos, os cotovelos e as canelas (e tudo o que está no meio, bem entendido). Só cobrir não basta. Precisa disfarçar.

Em 2009, a jornalista sudanesa Loubna Ahmed Hussein foi condenada a 50 chicotadas por usar uma calça jeans. [Ok, no Brasil uma estudante foi condenada por seus colegas por usar um vestidinho rosa.] Ela "só" ficou presa e pagou uma multa porque contou com a mobilização de seus colegas jornalistas. Já a moça desse vídeo divulgado no final do ano passado não teve a mesma sorte (recomendo às pessoas sensíveis não abrirem o link...).

burqa.pngJá é a terceira vez que Loic vai ao Sudão. Ele fez vários amigos por lá, inclusive esse que vai se casar. Esse amigo já veio aqui em casa nos visitar, é um fofo e a única pessoa que conheço com duas covinhas no alto da bochecha além de mim! A noiva é uma francesa não-muçulmana e desde o início do ano eles brigam para poder casar e ficarem enfim juntos. Eles se conheceram por intermédio do Loic - esse meu marido não é um cupido lindo?

Loic ama o Sudão e gostaria de poder trabalhar lá, coisa impossível nessa situação caótica. Ele diz que não se sente o clima de repressão ou sensação de medo. Não sei se devo considerar a opinião de um homem nesse aspecto. O simples fato de ser obrigada a usar um vestidão me faz torcer o nariz para o país. O processo de visto também foi bem chato, bem mais longo pra mim do que pra ele - pelo fato de ser mulher e brasileira...

Como minha curiosidade é um perigo, capaz de vencer meu medo, lá vou eu! De vestido comprido e largo, manga longa e véu obrigatórios. Como faz uma média (média!) de 39°, pelo menos não vou me bronzear!

Felizmente, a moda primavera-verão por aqui são vestidões e saiões hyppies, que eu vou usar sob uma camisa larga ou bata comprida. Visual "saiote de botijão de gás", zero forma e muito calor. Isso desde a escala na cidade do Cairo, já que a sharia já é válida desde o aeroporto.

Por falar em aeroporto, lá além de malas, computadores, câmeras, discos rígidos, CDs etc. são revistados na entrada e na saída dos visitantes, para garantir (?) o controle das informações que entram e saem. Não vou levar o pczinho, não sei se vou conseguir trazer fotos e vou torcer pra que meus livros de economia não sejam taxados de subversivos. Conto mais quando voltar, semana que vem!

Par alinemariane - Publié dans : em português
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Mardi 19 avril 2 19 /04 /Avr 21:27

Normalmente, eu sou uma pessoa espontânea e sorridente. Na terceira série, a professora me chamava de Guigui, aquela boneca risadinha, lembram?! Falo alto, gesticulo, falo com (quase) todo mundo, enfim, sem problemas de timidez.

Mas esse normalmente é no meu ambiente, na minha língua. Aqui na França, sou uma completa babaca. Sabe aquela pessoa que fica só rindo e não tem nada interessante pra contar?! Pois é, sou eu.

Grimace.JPG Quando converso em francês, sou ainda mais espontânea e risadinha. Uso e abuso do lado atriz que nem conhecia. Caras e bocas, gestos com as mãos, com a cabeça, milhares de caretas. Falo ainda mais alto (lembrando que o tom do francês é naturalmente mais baixo que o do português). Tenho ainda mais crises de riso.

Por conta disso, desenvolvi telefonofobia. Sim, tenho medo de telefone. Não tenho fixo e só recentemente um celular. Se não reconheço o número, não atendo - ainda bem que os franceses têm o ótimo hábito de deixar mensagens.  Prefiro tudo que dá para fazer por e-mail ou por SMS. Afinal, se as pessoas não vêm minhas caras e bocas, talvez não me entendam também...

Já faz três semanas que comecei meu estágio e está bem legal. O problema é que tem um telefone na sala e eu entro em pânico quando ele toca. Faço questão de falar um "Alô" com muito sotaque para ver sensibiliza a pessoa do outro lado.

emoticons.pngMinha irmã também tinha telefonofobia. Ela diz que se curou quando trabalhou como pesquisadora por telefone. Pois então, no meu estágio também tenho que ligar para as pessoas... ai!

Não é para fazer a pesquisa em si, mas para conferir se faz parte da minha amostra e depois marcar uma entrevista. Seria moleza em português, certeza que já teria terminado. Em francês é outra história: eu sou uma idiota. Claro que antes escrevo tudo o que quero falar e treino sozinha. Mas na hora em que telefono, é uma catástrofe! Não entendo o que a pessoa fala, ela não me entende, eu desligo sem querer...

E isso não é tudo. Reparei que sou expressiva e risadinha por escrito, também. Eh, gente, isso é possível! Sabe aqueles adolescentes que nasceram com internet e não sabem mais escrever sem emoticons? Pois é, sou eu.

Quem mandou aprender francês depois da internet? Agora também não sei mais escrever direito! Mesmo em e-mails relativamente formais, aqueles em que a gente chama "Monsieur e Madame Sobrenome", que trata o interlocutor de "vous" e termina com um "Cordialmente", eu uso emoticons. Que horror, que horror!! Como se não fosse suficente abusar de pontos de exclamação, interrogação e reticência... Reparei isso hoje. Oh, que vergonha! Logo eu que dizia para meus aluninhos fazerem o esforço de não escreverem assim!

emoticons2.JPG Hoje também encontrei pessoalmente alguns dos meus primeiros entrevistados. Depois de alguns minutos, um deles me diz:

-- Aline, sabia que você era sorridente mesmo antes, pelo telefone!

Eh... sou sorridente por e-mail também, meu caro entrevistado.

E no blog! =o]

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Vendredi 11 mars 5 11 /03 /Mars 19:23

Confesso que eu tenho uma certa inveja dos ateus. Tem momentos em que eu adoraria não acreditar em nada. Seria tão mais simples pensar que a gente nasce e morre, que acontecem coisas incríveis no meio disso e que tudo não passa de um complexo funcionamento físico químico social econômico biológico...

Mas não. Sou uma pessoa que acredita. Creio em Deus e tudo o que vai junto: amor, fé, missão de vida, nascimento que não é um simples começo nem a morte um simples fim. O tal funcionamento complexo é ainda mais complexo porque incorpora o desconhecido. Que tipo de pessoa se enrola a querer explicar o inexplicável? Essas que acreditam, eu por exemplo (não vou usar "crente" porque essa expressão no Brasil tem toda uma conotação diferente. Uma pena para o tamanho do meu texto!).

Esse tipo de pessoas que precisam acreditar em alguma coisa tem uma forte aliada para suas questões de crença: as religiões. Vale dizer que as religiões não são formadas apenas por pessoas que acreditam e nem todas as pessoas que acreditam têm religiões. Eu sou do tipo que tem.

Tenho religião mais ou menos do mesmo jeito que tenho os outros assuntos que não se discute: partido político e um time de futebol. Sou defensora e crítica, torcedora que acompanha alguns jogos, que vira a casaca, segundo a conveniência. Faz tão parte da minha personalidade quanto não concordar e seguir na discussão ou não olhar o cardápio de sobremesas pra não ter vontade. Uma mistura de teimosia e inércia.

O fato de ser uma pessoa que acredita e de fazer parte duma religião me deixa especialmente sensível ao desrespeito: não me venha falar mal dos muçulmanos, praticar um rito indígena sem conhecimento ou culpar os ateus! Qualquer tipo de preconceito religioso me dói profundamente.

Geralmente sou muito curiosa e discreta. Adoro saber da religião e da não-religião dos outros, respeito profundamente. Raramente comento da minha. Minha religiosidade não interfere na vida de ninguém, nem do meu cherido, que acorda antes de mim de qualquer jeito, mesmo domingo de manhã quando vou à missa.

Porém há momentos em que meu lado religioso domina. Momentos em que eu simplesmente não sei o que seria se não fosse a fé, se não acreditasse em Deus, no amor, no destino, no incompreensível. Crer me ajuda a aceitar, a seguir. Porque em alguns casos a revolta e a dúvida não me motivam, mas me afogam. Como nessas últimas semanas. Como lidar com a dor e o medo, com a sensação de impotência? Como transformar a perda em algo positivo, triste sim, mas do bem?

Nessas horas eu adimiro ainda mais os ateus... E concluo que eu não poderia ser um deles!

PS: Assunto que já pensei e prometi escrever e nunca nem comecei. A quaresma, que começou ontem, é um momento propício, pois também mistura de tristeza e força.

Par alinemariane - Publié dans : em português
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Apresentação - Présentation

  • : São Paulo - Paris - Dakar
  • : São Paulo, Paris, Dakar. Esse foi o destino dessa belorizontina que cresceu em Santa Bárbara d'Oeste, interior de São Paulo, e que mora atualmente Angers, no oeste da França. Estudou comunicação, pedagogia e agora estuda economia, mas ainda não decidiu qual é a sua profissão. Criou esse blog para reunir causos e palpites, achados e perdidos. Achou alguma coisa? Seja bem-vinda(o)!

Quem? Qui?

  • alinemariane
  • Paulistana-mineira, sempre se perde nas cidades por onde anda. Um dia ainda se acha. Brésilienne toujours perdue dans les villes où elle passe. Un jour elle va se retrouver.

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