Quick halal

Publié le par alinemariane

Tem horas que eu acho que os politicos franceses nao têm o que fazer e ficam procurando problema onde nao tem. E o pior é que às vezes fazem isso em nome de um conceito muito importante e interessante, mas que pra mim ja esta ficando irritante por aqui: a laicidade.

quick.jpgO Quick é uma espécie de versao belga e melhorada do McDonalds. De cara virou meu fast-food preferido! Os restaurantes se espalham feito cogumelo pela França, pais responsavel por mais de 90% das lojas; ha mais Quicks em Île-de-France que em todo o pais de origem. Adoro porque ha bem mais opçoes que o McDo, inclusive sanduiches vegetarianos e ingredientes nobres (pra brasileira aqui) como presunto cru, cogumelo e queijo de cabra.

Faz oito meses que alguns restaurantes-teste incluiram no menu carne de boi halal nos hamburgeres e peru defumado no lugar do bacon. Esses oito restaurantes estao em cidades onde a populaçao muçulmana consumidora de carne halal esta em crescimento, Argenteuil, Marseille ou Roubaix. Esta semana, devido ao sucesso dos novos produtos, a cadeia de fast-food radicaliza: 100% dos produtos desses restaurantes Quick passaram a ser halal e sem carne de porco.

Decisao suficiente para que o prefeito de Roubaix, cidade cujo unico Quick virou halal, entrasse com um processo contra a cadeia de fast-food. Ele alega que o restante da populaçao esta sendo discriminada por nao haver mais a opçao de carne convencional e bacon. Ué, mas a populaçao ainda pode ir ao McDo! Ah, que vontade de ter um restaurante em Roubaix e colocar um cartaz "Prefeito, o senhor pode comer bacon aqui!" hehehe!!

Os outros que apoiam esse processo contra o Quick alegam que isso é negativo para a imagem do islamismo na França, pois serao acusados de imporem a carne halal para o restante da populaçao. Mas quem impos foram os dirigentes da rede de fast-food, motivados apenas pelo "deus-lucro"...

A defesa da laicidade na França muitas vezes toma ares de anti-islamismo. Esse é um dos casos tipicos... Antes que me acusem, também defendo a laicidade com unhas e dentes e tudo o que eu quero é que enfim a educaçao religiosa seja banida das escolas publicas no Brasil e que seja proibido rezar o Pai-Nosso antes das aulas. Mas entrar no meio da livre-concorrência e do consumo, sinceramente, é falta do que fazer.

Se o Quick viu que ganharia mais dinheiro com esse publico, sorte da empresa, sorte desse publico e azar o meu que adoro bacon e presunto! Vou comprar em outro lugar! Assim é a liberdade capitalista!

O que é realmente vergonhoso sao açoes como a associaçao Sopa Identitaria (o site saiu do ar, fica a referência da Wikipedia em francês), que servia comida à base de carne de porco aos moradores de rua em Paris visando propositalmente nao servir aos muçulmanos. Nesse caso sim merecia processo, pois nao estamos falando de comércio.

Acabei de voltar do Quick aqui de Angers, aproveitei um Strong Bacon enquanto ele nao é feito de peru defumado, hehe!

Publié dans em português

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Glenda 25/03/2010 00:22


Olá! Gostei do blog! Estou linkando lá no Brasil com Z! Bjss


Amanda 20/02/2010 19:01



Pelo que sei, a maior parte dos muçulmanos não gostou da ideia e chegou a protestar contra. Li que o Quick estava pensando em cancelar a proposta, não por causa dos politicos, mas por causa do
proprio publico-alvo, que não comprou a ideia.

Que historia é essa de não vir tomar o chopp em Paris?? Hunf!



Helena 19/02/2010 23:27


Há, eu li a notícia ontem e pensei em comentar contigo ou escrever algo lá no meu blog... daí hoje tem um post aqui, que sintonia!
Pois é, eu também achei exagerada essa polêmica toda. Tipo assim, quem gosta de carne não se sente excluído porque existe restaurante vegetariano, não é? Mas a maioria dos "estressados", pelo que
li, são do FN, então, nem dá pra levar muito à sério...
Bisousão!