Entre os muros da escola - Quênia (parte 1)

Publié le par alinemariane

Fui passar três semanas no Quênia assim sem saber o que fazer, perdida mesmo. Queria aproveitar a chance de ir acompanhar Loic em seu trabalho (com tudo pago) e, de quebra, treinar um pouquinho de inglês, conhecer pessoas diferentes e ver algumas girafas. Mas a experiência foi muito além disso tudo.

A cidade

mlolongo google mapsDistante 20 km do centro de Nairobi, seguindo pela importante e perigosa Mombasa Road e às beiras do Parque Nacional, a região de Mlolongo é, na verdade, independente de Nairobi. A Mombasa Road é como uma marginal Tietê de Nairobi: super importante e super congestionada. E ainda muito, mas muito perigosa. Isso acaba por isolar Mlolongo de Nairobi e criar toda uma vida independente na periferia.

Mlolongo não é considerada uma "slum", mas se parece muito com as favelas de São Paulo: poucas ruas asfaltadas, moradias de auto-construção com materiais precários, há esgoto a céu aberto e muitas das casas não têm água encanada. Tudo convivendo com condomínios murados, mansões, hotéis de classe, bares chiques e até um cassino.

A escola pública mais próxima fica a mais de 10km, na cidade vizinha Kitengela.

A escola

P1070923.JPGNa década de 1990 um casal de missionários da Igreja Batista resolve criar em Mlolongo, na época quase desabitada, um orfanato para receber uma centena de crianças que viviam nas ruas de Nairobi. Nascia o Heritage of Faith Orphanage.

A região cresce, as crianças também, a demanda aumenta e decidem, em 2002, criar uma escola anexa ao orfanato, num terreno doado distante uns 300m. Nasce Heritage of Faith Christian School. A construção é precária: paredes e teto de metal, estrutura de madeira, fina camada de cimento quebradiço no chão. Sem eletricidade, sem água encanada e fossas mal-cheirosas como banheiro.

A escola tem mais de duzentos alunos, dividos entre baby class (5 e 6 anos anos) e do Standard 1 (7 anos) ao Stardard 8 (14 anos) 60% dos quais internos do orfanato e o restante moradores da região, que pagam uma mensalidade de mil kenyan shillings (10 euros).

A voluntária

P1070929.JPGPrecisei de três dias para que o inglês renascesse no meu cérebro (precariamente, diga-se. Mas nunca foi grande coisa mesmo). Saí de casa às 8h, não achei a escola e só fui encontrar o orfanato às 11h. Bem na hora do break for tea. Meu primeiro conhecido acabou sendo meu melhor amigo: teacher James. Foi ele quem me apresentou ao diretor.

-- O que você veio fazer como voluntária?
-- Não sei. O que vocês precisam que eu faça como voluntária?

O sorriso no rosto do diretor deixou claro que ele não estava acostumado com voluntários que não tinham projetos definidos. E que isso era ótimo!

Teacher Cathy, que estava com uma pilha de cadernos, interrompeu:

-- Ah, eu preciso de ajuda! Tenho esses cadernos aqui para encapar...

Os cadernos de péssima qualidade eram encapados com papel de saco de farinha. Até aí tudo bem, pois os sacos são feitos com papel super resistente. O problema é que a farinha devia estar cheia de carunchos, aqueles bichinhos de farinha, sabe? E vários ficaram escondidos no saco vazio! Então, além de encapar cadernos sem fita adesiva e limpar a farinha, eu ainda tinha que espantar os carunchos!!!

 

Continua...

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Amanda 08/08/2010 12:05



Ai que legal! Mas vc me matou de curiosodade! Cade o resto da historia?



luci 07/08/2010 00:32



ai, que legal! gostei da ideia de colocar pra fora teu amooor pela educacao. as vezes eu esqueco que passei 5 anos na faculdade pra ser professora. mas nao partilho desse amor que tu tem. acho
que nao tive uma boa experiencia em sala de aula. vamos ver o que vai acontecer nos proximos capitulos!