Entre os muros da escola - a minha

Publié le par alinemariane

Fiz 4 anos de faculdade de pedagogia. Mas não sou pedagoga. Não terminei o curso, ficaram faltando algumas disciplinas e muitas, muitas horas de estágio. E, definitivamente, não tenho o perfil do estereótipo de pedagoga.

feusp.jpgPorém, preciso confessar: amei o curso. Se alguma colega da FEUSP me lê (??), deve estar rindo da minha cara. Verdade, eu reclamava o tempo todo. E ainda reclamo. Se esse que pretende ser "o melhor curso de pedagogia do Brasil", imagine só a droga que são os outros! Mas os quatro anos que passei na FEUSP trataram de despertar em mim uma certeza. Como não sou uma pessoa de muitas certezas, só isso vale todos os amores do mundo!

Educação é o meu tema, a minha paixão, a tampa da minha panela acadêmica. Talvez o único assunto constante na minha salada de interesses. Interesso-me desde didática, metodologias (interesse proporcional à idade dos alunos), história, organização, políticas, arquitetura... enfim, tudo!

Não tenho o objetivo em fazer desse um blog sobre educação. Entre os vários rascunhos sérios não publicados, nenhum é sobre o tema. Mas não dá pra separar uma coisa da outra, né? Meu tema preferido tinha que invadir o blog também!

entre les murs livreEntão, apresento para vocês (tcharam!) uma série "Entre os muros da escola". O título é inspirado na tradução para o Brasil do ótimo filme "Entre les murs", de 2008 (trailer legendado aqui) baseado no ainda melhor livro de mesmo título. A ideia é contar histórias que se passaram comigo em escolas do Brasil, França, Senegal e Quênia. E falar um pouquinho sobre a organização da educação em cada um desses países, a fim de conhecer novas realidades e refletir sobre a escola brasileira. Afinal, educação é tema onipresente em qualquer discussão política que se preze. E este é um ano de eleições!

Entre os muros da escola - a minha

Essa história começou bem antes, no segundo ano do ensino médio. Entre outras neuras de pré-vestibulanda, eu também fiz vestibular como treineira. Para fugir da manjada Fuvest, prestei Unesp. Pedagogia. Apesar do meu bom resultado, vieram as críticas: "Você é inteligente, porque vai fazer pedagogia?". E lá fui eu fazer um curso de gente inteligente. A frustração foi tamanha que, quatro anos, um diploma e um emprego tempo em multinacional depois, fui fazer pedagogia. Na mesma universidade da primeira graduação, afinal uma vez uspiana, sempre uspiana.

resultado-vestibular.jpgJá pela lista de aprovados, ou melhor, aprovadas, a primeira constatação: pedagogia é profissão de mulher. Na "semana dos bixos", segunda constatação: esse é um curso que se diz sério, bem diferente da auto-zoação que foi a ECA. E isso faz falta. As futuras pedagogas se levam tão a sério que caem na armadilha da desprofissionalização e da baixa autoestima.

A terceira constatação veio mais tarde: o curso divide-se entre militantes de esquerda e militantes de extrema esquerda. Os que acham que os professores devem fazer o que quiserem e os que acham que, além disso, eles devem ser muito bem pagos. Quem não se encaixa fica quieto. Quem não se encaixa e fala, se ferra.

Eu não me encaixei. Perae, caríssimo leitor, você continua lendo o meu bloguinho, e eu continuo a mesma pessoa: tenho opiniões à esquerda. Mas atitudes contraditórias, pois trabalhava em multinacional e não tinha o menor interesse em trocar isso por um trabalho ideológico em escola pública. Enquanto na ECA meus colegas me viam como comunista, na FEUSP eu era vista como neoliberal.

maitresse_coloriage.gifEm alguns momentos, essa discussão foi enriquecedora, principalmente quando confrontava a profissional aqui, com metas, horários e prêmios e as colegas futuras professoras, ansiosas por serem reconhecidas como profissionais (e não como almas caridosas que cuidam de criancinhas), mas não dispostas a trabalharem como tal. Pena que esses momentos foram minoria.

Mesmo assim, faço um balanço super positivo dos quatro anos que passei na FEUSP. Gosto de contradições, prefiro a discussão à conclusão. Quer coisa mais chata que ideias iguais e padronização do pensamento?

Enfim, espero que essa série me ajude a organizar minhas milhares de anotações e impressões sobre as escolas que passei e a educação como um todo. Comecei entre os muros da minha escola para me dar credibilidade (oh, ela é quase-pedagoga, hihihi) e para dar o tom de cri-crítica e deslumbrada que faz parte de mim. Aí vem mais!

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