Eleições no Brasil, uma semana e algumas questões

Publié le par alinemariane

Daqui uma semana, teremos eleições no Brasil. Eu, como fã de eleições, transferi meu título de eleitor para o consulado geral de Paris, que fica uns 300km de Angers, minha cidadezinha. Já comprei os bilhetes de trem há alguns meses e talvez vou ter problemas para viajar, já que há uma (outra!) greve prevista para esse sábado. Mas tudo bem. Deixar de lado meu direito de votar não faz parte dos meus planos.

Acho que esse é o terceiro ou quarto texto sobre o tema que começo a escrever. Não tive coragem de publicar. Não queria cair no lugar comum, chover no molhado. Faltando uma semana, começo a sentir uma certa urgência. Pelo menos agora espero não influenciar o voto de ninguém. E conto com meus poucos fiéis leitores para influenciar a minha escolha.

marina43.jpgPois bem, faz tempo que estou com tudo preparado para votar, mas me faltava o principal: candidata. Quem me conhece deve estar achando estranho essa afirmação, pois sou cabo-eleitoral no Orkut, Facebook e Twitter. Na verdade, essa foi minha estratégia para tentar acompanhar de perto a campanha dela.

Primeiramente, vale dizer que não sou do tipo que vota contra. Queria escolher uma candidata por sua história e personalidade, por suas propostas e seu partido, por seu vice e tudo o que vem junto. Falo candidata porque minha dúvida era entre as duas candidatas mulheres.

O candidato homem com chances de ser eleito foi descartado em primeiro lugar. Já confessei uma certa antipatia por ele, somada ao fato de que, descaradamente, usou São Paulo (cidade e estado) como trampolim políco, deixando na mão de vices do DEM, partido que representa tudo o que menos suporto no Brasil. Ainda por cima, sua campanha é visivelmente desastrosa, mesmo tendo apoio velado de toda a mídia convencional. Enfim, esse candidato está há anos-luz de me representar.

A ideia de uma presidenta (desculpe-me, língua portuguesa. Mas se a palavra prefeita foi criada recentemente, porque não presidenta?!) me deixa muito feliz. Num país onde política é coisa de homem, vide a dificuldade dos partidos em ter o número de mulheres previsto em lei, é um ganho simbólico imensurável. As duas candidatas têm histórias e perfis que admiro e uma série de características pessoais muito positivas.

Dilma13.jpgMe assusta como a mídia deturpou o fato de uma das candidatas ter lutado contra a ditadura, como se esse período histórico tivesse sido bom para o Brasil. Tratam-na como terrorista, termo complemante fora de contexto. Também me assusta quando escuto críticas ou elogios ao fato de uma das candidatas ser evangélica, afinal, esse é o tipo de informação da esfera pessoal que não deve intereferir em nada. Resolvi acompanhar bem de pertinho sua campanha para ver se isso influencia em algo e, ainda bem, até agora não vi qualquer indício.

Se me perguntarem, faço parte dos 80% que aprovam o governo Lula. Dizer que aprovo não quer dizer que concordo com tudo. Nem que estou 100% satisfeita. Em 2002, quando ele foi eleito, esperava muito mais. Fiquei muito, mas muito mesmo, decepcionada com a maneira que a política foi levada, com os aliados por conveniência e os horrorosos casos de corrupção. Tenho vários pontos de discordância com a política econômica e social também. Mas reconheço os muitos pontos positivos. O maior deles é simbólico: o governo Lula levantou o moral dos brasileiros mais pobres. Só isso é de um valor enorme. A mídia, que não vende pra eles, acha isso péssimo.

Lula-e-a-midia.jpgTer uma avaliação positiva do atual governo não me obriga a votar diretamente na candidata da situação. Ao contrário, reconhecer os problemas me faz querer procurar uma alternativa. Além disso, um dos pontos negativos que reconheço no governo Lula tem sua expressão máxima na escolha do candidato à vice. Devido às alianças necessárias para ter mais tempo de TV e para um governo mais tranquilo depois (leia-se: sem oposição), o vice da chapa da situação é o grande representante à direita do ambíguo PMDB de São Paulo. Para mim, isso tira muitos, muitos pontos. Lembremos que na nossa história recente tivemos dois governos de vice-presidentes.

A outra candidata não fez alianças e só isso é o bastante para saber que seu pequeno partido verde não sobrevive à campanha e muito menos a um possível governo. Ela simplesmente não pode ganhar e, caso essa improbabilidade aconteça, ela não consegue governar. Além disso, tal partido tem lá seus vínculos de conveniência vergonhosos, como é o caso do governo do RJ. Confesso que temo qual será sua conveniência no segundo turno...

Temo também o fato de ser "em cima do muro". Os verdes, pelo mundo todo, parecem não ter encontrado o seu lugar como uma terceira via. Não se identificando à direita ou à esquerda, ficam na desconfortável posição em cima do muro. Com tendência a cair para algum lado. Resta saber qual a inclinação dos verdes brasileiros. Até agora, não sei. Tenho lido muitas opiniões e especialmente acompanhado o movimento do partido. Mesmo assim, não arrisco um palpite. Mas me encho de esperanças que seja para a esquerda.

Foto_Marina_Guilherme_Final_baixa.jpgA candidatura verde tem muito do que acredito. Tem uma proposta muito bem elaborada por especialistas em cada área. Tem um viés de desenvolvimento sustentável que sonho para o Brasil que vou voltar a morar daqui uns anos. Tem um vice empresário que, a torto e direito, conseguiu criar a empresa mais respeitável do país. Tem uma mistura de social e econômico na medida, aparentemente. Além disso, representa o momento em que vivo, procurando novas ideias e novas alternativas.

A situação atual da França é uma prova de que quem está em cima do muro pula para algum lado. O UMP, partido de centro do presidente Sarkozy, está cada dia mais parecido com o FN, partido de extrema direita. Ainda por cima, meu histórico de voto "em cima do muro" não é muito bom. Estou muito decepcionada com a atual campanha de uma candidata para quem votei no primeiro turno para a prefeitura de São Paulo. Ela, que representava juventude e social, despencou de vez para a direita, fazendo teoria da conspiração e tudo. Estou duramente aprendendo que a política no Brasil não é uma questão de ideais e propostas, mas de alianças e ameaças. Infelizmente.

Dito isso, decidi meu voto de maneira não muito convicta. Ficarei feliz com a eleição da candidata da situação, votarei nela no segundo turno. Mas, neste momento, a candidata verde está mais próxima do que acredito. E é uma pena que eu tenha que enfatizar que é neste momento.

E vocês? Conto com opiniões de última hora e campanhas de boca de urna!

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Bel Butcher 27/09/2010 01:48



Aline, acho que eu vou fazer a única campanha que importa: a de sairmos do over-blog e assumirmos que o do tio sam é melhor. Essa história de valorizar o produto nacional - francês - não está com
nada. Amanda com problemas para comentar aqui, Maíra com problemas para comentar nos dois blogs... é aí? est-tu partante?


 


Quanto ao seu post, concordo com boa parte do que falou. Só acho que a Marina é uma boa política, mas césar maia como aliado é a morte política dela pra mim. E a dificuldade dela em falar as
palavras gay ou aborto mostram que sim, a religião pode ser um entrave para ela. Pode não ser para todos os evangélicos, mas acho que pra ela, sim.


 


Mas acho que você fez um bom panorama do que anda acontecendo lá naquelas terras. E é por isso que vou tomar minha única atitude política - em se tratando das eleições para presidente no Brasil -
e vou compartilhar seu post com os meus amigos do feicibuqui.


 


Bjs



mariana 26/09/2010 23:26



Olha Aline, com todo respeito ao direito de escolha de cada um, eu voto nulo! Alias, na utima eleição não so votei nulo do inicio ao fim como fiz campanha pelo voto nulo. Não me sinto
representada pelo PT, nem pelo PV, nem pelo PSTU e os partidos de direita, cruzes, nem sob tortura! A politica partidaria brasileira me da nauseas... e me causa revolta! Todo partido esta pronto
a comprometer qualquer principio de base para ganhar uma eleição e se manter no poder. E eu, não me sinto de todo jeito representada por nenhum dos programas de governo representados e não quero
dar meu voto para ninguém que faça parte desse sistema injusto e corrupto. Também acho ridiculo e vergonhoso as pessoas tratarem do passado da Dilma na guerrilha como se isso fosse um grande
absurdo (lutar pela liberdade, imagina!) mas não é isso que vai me fazer votar nela. Nem o fato dela ser mulher me faz querer votar nela ou na Marina. Alias, com a Marina presidenta, aborto
legalizado? Jamais! Pode esquecer! Enfim, pra mim o Brasil não esta tão mudado assim desde que o Lula assumiu. Sinceramente. O nivel da escola publica ainda é baixissimo, as universidades
publicas continuam elitizadas (muitas com nivel igualmente questionavel), e o bolsa familia é um programa que não garante uma mudança de direito e de acesso à dignidade à longo prazo...
infelizmente, o que poderia ter sido uma iniciativa louvavel, virou uma condição instavel de sobrevivência para os que dependem dela e cria uma relação de dependência com o governo do pt...
claro, vc vai deixar de votar no partido que garante a cesta basica? não, o cidadão que passa fome, vai votar com o estômago, pois sobreviver é o primeiro dos principios. e é por isso que o pt so
ganhou meu voto uma vez e nunca mais. 


E o pior é que o candidato piada do ano é o que disse a frase mais intrigante da campanha eleitoral desse ano: "pior que ta num fica"... sera? 


boa sorte com a viagem no sabado! bjus!


 


 



26/09/2010 22:05



Oi Aline, infelizmente nao transferi o titulo. O Rafael ainda estava pequenininho na época da transferencia e digamos que eu nao tinha cabeça para outra coisa na vida. Sabe como é... e cada vez
que eu pensava em ir, me batia aquela preguiça enorme pq eu odeio pegar metrô sozinha com o carrinho de bebê, fico com as costas destruidas pq ninguém ajuda. Enfim, desculpa esfarrapada, né?
Devia ter dado um jeito.

Mas se eu fosse votar... nao votaria na Dilma. Nunca votei no Lula, mas quando ele foi eleito achei que ele faria um governo razoavel, ainda de contas, o FHC deixou a casa arrumada. Nao diria
que  o governo foi péssimo, teve pontos bons e ruins, mas fiquei decepcionada com tanta corrupçao. E muita coisa esta' pior, a violência, a educação, dividas, mau uso do dinheiro publico...
Além disso, nao acho a Dilma preparada para assumir tamanha responsabilidade.

Nao gosto do Serra, mas acho que ele tem muito mais preparo e acho que ele fez um bom governo em SP. Gosto da Marina. Talvez votasse nela também no 1° turno.

E é isso!

Bjs,




Helena 26/09/2010 17:36



Eu simpatizo muito com as duas candidatas, cada uma tem qualidades e defeitos bem diferentes uma da outra. Mas gosto bastante também do Plinio e votaria nele no primeiro turno, mas como so vou
poder votar no segundo, vou com a presidenta :)



alinemariane 26/09/2010 16:08



teste 123